Hoje, 12 de agosto, assinalamos o nascimento de Miguel Torga, uma das vozes maiores da literatura portuguesa do século XX.
Nascido em São Martinho de Anta, Vila Real, em 1907, Adolfo Correia da Rocha — que o mundo conheceu pelo pseudónimo Miguel Torga — deixou uma obra de extraordinária riqueza e profundidade, atravessando a poesia, o conto, o romance, o ensaio e o teatro.
A sua escrita, profundamente ligada à terra, à condição humana e à identidade portuguesa, continua a tocar gerações de leitores e a afirmar a força universal da língua portuguesa.
119 anos depois do seu nascimento, celebramos não apenas o escritor, mas o homem que fez da palavra uma forma de liberdade, de resistência e de eternidade.
Miguel Torga permanece vivo nas suas páginas, na paisagem transmontana que tantas vezes celebrou e na memória de todos aqueles que encontram na sua obra uma parte de Portugal.
Hoje, celebramos Torga. Celebramos a sua vida, a sua obra e o privilégio de o termos como património da nossa literatura.
12 de agosto de 1907 — uma data que a literatura portuguesa jamais esquecerá.
Poema
Manhã
Fresca manhã da vida, recomeço
Doutros orvalhos onde o sol se molha.
Nova canção de amor e novo preço
Do ridente triunfo que nos olha.
Larga e límpida luz donde se vê
Tudo o que não dormiu e germinou;
Tudo o que até de noite luta e crê
Na força eterna que o semeou.
Um aceno de paz em cada flor;
Um convite de guerra em cada espinho;
E os louros do perfeito vencedor
À espera de quem passa no caminho.
Miguel Torga
